Já são 71 dias em greve
Truculência policial marca decisão pelo prosseguimento da paralisação
Praça João Mendes vira campo de batalha na assembleia que deliberou pela continuidade da greve. Novo encontro será na quarta que vem, 14 de julho
Reunidos em assembleia estadual na tarde desta quarta-feira, 07 de julho, os funcionários do Judiciário estadual paulista decidiram continuar em greve. A votação ocorreu por unanimidade e um novo encontro foi agendado para a próxima quarta-feira, 14, às 14h00, na Praça João Mendes, Centro de São Paulo. Após a tomada de decisões, em atividade semelhante à realizada na semana anterior, os paredistas saíram em passeata para apoiar os funcionários da Justiça Federal, também paralisados. A manifestação aconteceria em frente à unidade do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Rua Francisca Miquelina, próximo ao Fórum Cível Central. No entanto, o que se viu daí por diante foi uma verdadeira barbárie.
Antes de sair em marcha os funcionários optaram por realizar um abraço simbólico no prédio do Fórum João Mendes Jr. A Polícia Militar, que esteve presente ao ato em grande contigente posicionou seus homens tentando impedir o ato: a confusão foi inevitável. Truculentos e paramentados, tendo pela frente apenas homens e mulheres – pais de família – desarmados, a PM partiu para o confronto.
VIOLÊNCIA – Além da grande quantidade de grades de metal colocadas em frente ao Fórum Central, os policias tinham a seu favor equipamentos normalmente utilizados para reprimir atos de violência, rebeliões, motins. Determinados, os militares lançaram aleatoriamente bombas de efeito moral e jatos de gás de pimenta pela Praça João Mendes, atingindo, além dos funcionários da Justiça paulista, também pessoas que passavam pelo local.
Explosões foram sentidas em diversos locais, transformando o lugar num verdadeiro campo de batalha. Para se ter idéia da violência praticada pela PM, basta lembrar que a ação não diferiu em nada dos enfretamentos contra torcidas organizadas de futebol ou motins em penitenciárias. Várias pessoas, homens e mulheres, tombaram, alguns gravemente feridos. Muitos passaram mal por inalar a fumaça das bombas ou os jatos de gás de pimenta.
O barulho de sirenes tomou conta das imediações. Enquanto várias viaturas da PM chegaram para reforçar a tropa, algumas unidades móveis de serviço médico e até do Corpo de Bombeiros foram chamados para socorrer as vítimas da violência policial que, ao que consta, agiram a pedido dos mandatários da Justiça de São Paulo.
DELIBERAÇÕES – O prosseguimento da paralisação foi uma resposta à total leniência do TJ-SP, que em reunião ocorrida com os dirigentes de associações – paralela à assembleia dos funcionários – manteve a mesma postura adotada desde o início da campanha, sem apresentar propostas concretas à pauta de reivindicações da categoria.
Os paredistas decidiram ainda pela realização de manifestação em Brasília, em data ainda a ser definida pelas entidades representativas. As deliberações tomadas indicam ainda que as reuniões do Comando Estadual dos Funcionários, que tradicionalmente ocorrem antes das assembleias da categoria deverão ser realizadas a partir das 09h00, em local a ser definido. A categoria deverá trabalhar pelo fortalecimento das assembleias regionais e pela intensificação da mobilização na capital. Também foi decidido que as entidades deverão agendar reuniões com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a fim de denunciar os problemas e desmandos que envolvem a Justiça paulista.